Ser Mulher No Século XXI: A angústia do não Saber-Se

Ser Mulher No Século XXI: A angústia do não Saber-Se

Psic. Odegine Graça

O caminho da mulher tornou-se turbulento. Milhões de tarefas, preocupações, papéis, caminhos, deveres e formas de ser estipuladas pela sociedade para essa mulher dita moderna. Muito tempo se passou desde que a mulher conseguiu ser vista e considerada “Pessoa-Humana”, responsável por si e uma cidadã com direitos e deveres. Aqui, diga-se de passagem, muito mais deveres que direitos. Hoje a mulher do séc. XXI deve ser: Linda, maravilhosa, inteligente e poderosa. Desempenhar com perfeição os papéis de mãe, amante, dona de casa, super-profissional e de “Gatona” tipo Madona, ou seja, chegar aos 50 com tudo em cima. Sorrir sempre, ser otimista sempre, e ter aquele jeitinho feminino e intuitivo para resolver tudo para todos. Haja fôlego!

Muitas vezes em meu consultório escuto a pergunta: Será que sou frigida? Faço a seguinte pergunta a essas mulheres preocupadas. Quando é que você goza?
A resposta é quase sempre a mesma. No final de semana. Tá. (complemento) será que é porque no final de semana você não trabalhou 16 horas seguidas? Normalmente o que escuto em seguida é uma risadinha meio desconcertada e um comentário que demonstra culpa, algo como: sei que deveria dedicar mais tempo para o meu relacionamento, mas… o que posso fazer se o dinheiro que ganho é essencial no orçamento domestico?

As mulheres contemporâneas são basicamente mulheres insatisfeitas, ou devo dizer não satisfeitas? São insatisfeitas consigo mesmas e não satisfeitas em suas relações. Existe uma falta básica gritante na mulher atual. Essa falta não é do Pênis como complementariam alguns psicanalistas. É falta de tempo mesmo! Precisamos de um dia de 52 horas para sermos, mães, super profissionais, amantes de nossos maridos e as “Gatonas” da moda. As mulheres de tantos papéis, e de tanta gente, em sua maioria encontram-se cansadas, desmotivadas, com a libido desequilibrada e o coração partido. Porém, a maior parte do tempo precisa fazer de conta que está feliz, e que é indestrutível. Diante do mar revolto, enfrenta furacões emocionais sem nunca demonstrar fragilidade ou confusão. Dentro do seu coração entre tanto vai crescendo uma mácula que vai se tornando uma ferida profunda e essa mulher mascarada de feliz o tempo todo, sente-se divida entre  a dor insuportável de ser quem é e de estar onde se encontra. Então decide guardar absoluto silencio como uma mártir vitoriosa, enquanto por dentro o vulcão esta em erupção constante. Resultado disso são os AVC’s, ataques de angústia, e outras doenças repentinas que vem acamando muitas mulheres.

É necessário que as “Mulheres Maravilha” de hoje peçam ajuda. Conscientizem-se que muitas pessoas dependem delas e que precisa cuidar de sua saúde como uma maneira de poder continuar a sustentar sua prole. Mulheres embora vocês sejam maravilhosas são também seres feito de carne e osso. Sei muito bem disso, pois por vezes me esqueço disso. Então! Vamos dar um basta na super mulher, pelo menos no fim de semana. Peça comida pronta, não lave os pratos e de vez em quando nem tire o pijama e fique o dia todo curtindo um bom filme na cama com seu marido e seus filhos, este é um ótimo programa familiar para todos relaxarem. Esqueça a bagunça da casa e relaxe. Na segunda você veste o modelito super “Mulher Maravilha” e vai pra vida, mais maravilhosa que nunca.

Psic. Odegine Graça – CRP 08/07936

Psicóloga, psicoterapeuta

odegine@casadasfadas.psc.br

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