A Raiva na Constelação Familiar

A Raiva na Constelação Familiar
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça

Dentro da leitura que se faz pela Constelação Familiar, a pergunta correta é: O que a raiva nos conta?

Existe uma frase muito interessante que Diz:

– Que mal lhe fiz para estar tão furioso com você?

Segundo Bert Hellinger essa é uma frase que nos mostra a raiva como uma defesa contra a culpa.
Na Constelação Familiar a raiva pode aparecer com diversos nuances e formas:

  • Como defesa contra a DOR e CULPA
  • Como COMBUSTÍVEL PARA AÇÃO
  • Como SUBSTITUTO PARA AÇÃO.
  • Como substituto para o AMOR
  • Como raiva ADOTADA

Raiva como “Defesa Contra a Dor e Culpa” na Constelação Familiar

Quando aparece como defesa, ela é um substituto da perda. Dentro do contexto da Constelação Familiar, quando existe a separação de um casal, por exemplo, e nenhum dos parceiros olha para o que deu errado na relação, não chorar suas dores, a culpa aparece e reina. Isso impossibilita qualquer tipo de relação entre essas duas pessoas que não seja de dor e raiva. Perceba que a culpa desaparece, mas a raiva permanece.

Podemos transformar essa situação de duas formas: ou lamentamos as perdas e sentimos as dores dela, ou então encaramos de frente a culpa. A mais efetiva não é a escolhida, a escolhida sempre será a mais fácil. A mais correta é aquela que aparece no campo da Constelação, onde apenas a alma está se expressando.

Raiva como “Combustível Para Agir” na Constelação Familiar

A Constelação Familiar ainda diz que se alguém me agride, e me sinto injustiçado, a raiva vem como combustível para minha coragem e capacidade para eu me defender. Essa raiva é positiva, me capacita para agir, me fortalece, é adequada e serve muito bem a seu objetivo. Entretanto, a raiva reprimida é paralisante, contamina a alma e o coração e dura longo tempo. Esse tipo de raiva é um substituto para a ação.

Novamente não temos exatamente uma escolha sobre qual dos dois sentimentos iremos mostrar, qual dos dois irá surgir. Todos temos uma história, uma família, lealdades invisíveis que nos permite apenas um ou outro modo. Dentro deste aspecto, o campo das Constelações pode mudar a programação que recebemos e transformar essa programação.

Raiva como “Substituto Para o Amor” na Constelação Familiar

Outra maneira diferenciado de olhar para a raiva sobre a lente da Constelação Familiar, é de que a raiva é um defesa contra o amor. Ou seja, ao invés de expressar meu amor fico com raiva da pessoa que amo. Bert Hellinger diz em seu livro “As Ordens do Amor ” :

Essa raiva surgiu na infância, em consequência da interrupção de um movimento afetivo. Em situações posteriores semelhantes, essa raiva reproduz a vivência original e dela tira a sua força.

Raiva Como Substituto

Outra maneira de se apresentar no palco da vida, é quando fico com raiva de alguém porque eu lhe fiz algum mal e não posso reconhecer isso. Com essa raiva, eu me defendo das consequências dessa culpa e a empurro para outra pessoa. Também essa raiva é um substituto da ação. Ela me permite ficar inativo, me paralisa e enfraquece. Aqui a Constelação Familiar nos mostra que o mal que faço ao outro e não reconheço é o mal que faço a mim mesmo.

Ainda a raiva pode aparecer como uma incapacidade de receber e reconhecer todo um bem que recebo. Dentro da Constelação Familiar essa raiva é chamada de desequilíbrio entre o dar e o receber, uma das Leis das Ordens do Amor.

Alguém me dá tanta coisa grande e boa que eu não consigo retribuir. Isso é realmente difícil de suportar. Então me volto contra o doador e suas dádivas, ficando zangado com ele. Essa raiva se manifesta como recriminação, por exemplo, dos filhos contra os pais. Ela se torna um substituto do tomar, do agradecer e do próprio agir. Paralisa e esvazia a pessoa. Ou se manifesta como depressão, que é o outro lado da recriminação.

Também serve de substituto para o fluxo correto: o tomar, o agradecer, e o dar. Ela paralisa e esvazia. Essa raiva se manifesta também na forma de um luto muito prolongado, depois de uma morte ou uma separação, quando fiquei em divida com essas pessoas no que tange ao tomar e ao agradecer. Essa raiva se manifesta ainda se deixei de assumir minha própria culpa e suas consequências.

Raiva Adotada

A Constelação Familiar nos reporta a emoção da raiva ainda sob a forma de adoção, ou seja, algumas pessoas tem raiva que adotaram de outras contra terceiros. Num grupo, por exemplo, quando um membro reprime sua raiva, depois de algum tempo um outro membro se enraivece, geralmente o mais fraco, que não tem absolutamente nenhum motivo para isso. Nas famílias, esse membro mais fraco é uma criança . Quando, por exemplo, a mãe fica zangada com o pai, mas reprime sua raiva, um filho fica zangado com ele. O mais fraco, frequentemente não se torna apenas sujeito, mas também objeto da raiva.

Quando, por exemplo, um subordinado se irrita com o seu superior mas reprime sua raiva diante dele, costuma descarrega-la em alguém mais fraco. Ou, quando um homem fica com raiva da sua mulher mas reprime diante dela, um filho é castigado por ela.

Constelação Familiar como “Mapa da Vida”

A Constelação Familiar é um “Mapa de Vida”, ela nos mostra caminhos diferentes e muitas vezes não vistos por nós antes. Por esse fato, como citamos no artigo O QUE É CONSTELAÇÃO FAMILIAR,  ela é chamada de Terapia da Solução. Saber como a raiva acontece e em que situações ela se manifesta, como se manifesta, é um passo muito importante para o nosso crescimento pessoal e nossa paz familiar.
Por exemplo, quando a Constelação Familiar nos mostra que a raiva da esposa contra seu marido pode ser na verdade a raiva da mãe contra o pai. Vejamos:

Muitas vezes, a raiva não se desloca apenas de um portador para o outro, por exemplo, da mãe para o filho, mas também de um objeto para o outro, por exemplo, de uma pessoa forte para uma pessoa fraca.

Esse é um ponto de vista extremamente interessante da Constelação Familiar. E Bert continua falando:

Nesse caso uma filha que assume a raiva da mãe pelo pai, não dirige a raiva contra o próprio pai, mas contra alguém mais a sua altura, por exemplo, ao próprio marido. Nos grupos, a raiva adotada não se dirige então contra a pessoa forte que era inicialmente visada, por exemplo, o dirigente do grupo, mas contra um membro fraco, que se torna o bode expiatório, no lugar do mais forte. Esses que adotam a raiva se chamam perpetradores

Essa é uma observação inovadora feita pela Constelação Familiar. Ainda podemos observar que:

Quando agem através de uma raiva adotada, os perpetradores ficam fora de si. Sentem-se orgulhosos e em seu direito, mas agem com uma força e um direito que não lhes pertencem, o que os frustra e enfraquece. Por sua vez, as vitimas dessa raiva adotada, se sentem fortes e em seu direito, pois sabem que sofrem injustamente. No entanto, também eles permanecem fracos e seu sofrimento é inútil.

Raiva Quando Necessário

Aqui vemos mais uma vez que dentro da Constelação Familiar não existe vencedores e nem vencidos. Vemos os dois lados da energia criativa agindo sem se importar com aquilo que chamamos de bom ou ruim.

Existe uma raiva que é virtude e habilidade: uma força de imposição, alerta e centrada, que responde a emergência e que, com ousadia e saber, enfrenta inclusive o que é difícil e tem poder. Essa raiva é destituída de emoção.

Percebemos aqui que até mesmo a qualidade de energia emocional é retirada, e a Constelação Familiar vê a raiva aqui como um movimento.

Quando é preciso, também inflige algum mal ao outro, sem medo e sem maldade: é a agressão como pura energia. Resulta de uma longa disciplina e de um longo exercício, mas é possuída sem esforço. Essa raiva é manifesta como ação estratégica.

Aqui somos agraciados dentro da Constelação Familiar, com os ventos de uma filosofia zen, intangível somente a nosso cérebro racional. Para viver a Constelação Familiar é necessário um despojar-se de si e mergulhar no espirito da vida, sem qualquer prepotência egoica, em uma entrega total a algo maior onde tantas vezes me perco, que é onde me encontro verdadeiramente.

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