Perdi a Cabeça!

Perdi a Cabeça!
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça - Especialista em Autoestima, Relacionamentos e Relacionamentos Amorosos
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça

“As pernas sob a mesa marcavam compasso à uma música inaudível, a música do diabo, de pura e incontida violência…”

Clarisse Lispector  em “Perto do Coração Selvagem

Quem já não sentiu o rosto queimando de raiva? A garganta seca, as mãos suando, a visão turva, e de repente você está gritando ou até mesmo coisa pior, e quando uma outra pessoa pergunta “O que você está fazendo?” ou “O que você fez?”, a resposta é quase sempre a mesma: “Perdi a cabeça…”

Mas… qual será mesmo o significado dessa expressão?

Quando perdemos a cabeça, perdemos a capacidade de agir e pensar embasado em nosso cérebro mais evoluído, ou seja, não usamos o nosso lobo frontal, que é responsável por nossas palavras, pela capacidade de relação conceitual. Nem mesmo usamos outras funções do nosso córtex, responsáveis por pensamento lógico. Entramos no labirinto do mais primitivo de nosso ser, a antiquíssima amígdala, que fica no nosso cérebro reptiliano, que move toda nossa energia para atacar ou fugir. Ali estão instalados nossos medos ancestrais, e mesmo hoje, diante de uma ameaça, entendemos que a violência ou a correria desabalada na direção oposta do grito de perigo é nossa única chance.

Guerreamos por poder pois temos medo, muito medo.

Esse medo primitivo nos faz seres ferozes, animais inconsequentes, fixos no pensamento de ganhar, de ser melhor, para que os outros tenham mais medo de mim que eu deles, e assim poder me sentir mais seguro. O lema é: contra tudo e contra todos.

Isso nos leva a uma sociedade perigosa e violenta, onde a lei do mais forte sugere músculos e armas, desonestidade, trapaças e humilhações.

É o momento de perguntar até quando continuaremos vítimas de nosso medo ancestral? O que nos determina como seres em evolução? Existe uma possibilidade de vida menos bélica e mais bela?

Deixo aqui a fala de Clarisse como continuidade dessa reflexão:

“A tarde era nua e límpida, sem começo nem fim. Pássaros leves e negros voavam nítidos no ar puro, voavam sem que os homens os acompanhassem com um olhar sequer. “

Talvez pudéssemos desviar nosso olhar um um pouquinho para o que é belo.

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