Pais Separados – Síndrome da Alienação Parental

Pais Separados – Síndrome da Alienação Parental
Psic. Odegine Graça

O casamento acabou. Tristeza, choro, rancor dos parceiros um com o outro, tentativa de se vingar por todos os anos “perdidos” e quando existem filhos, por vezes, as coisas ficam ainda piores. Os pais envolvidos em sua dor não percebem onde começa o casamento desfeito e onde se inicia a paternidade, deixam que o seu relacionamento de casal interfira com o relacionamento pais e filhos.

Normalmente o pai guardião, por estar mais próximo, faz uma vinculação por vezes inconsciente com o ou os filhos contra o pai que saiu de casa. O filho vinculado ao guardião inicia um processo de ódio ao outro pai. Esse processo se da a partir da alteração do comportamento dos filhos, mudando de saudade e espera pelas visitas para agressão e rejeição. Com isso, instaura-se na criança ou adolescente o que chamamos de SAP, ou Síndrome de Alienação Parental, que é quando um dos genitores tenta induzir o ódio dos filhos pelo outro genitor.

Richard Gardner, psiquiatra norte-americano, definiu esse processo da seguinte maneira: “A alienação parental é um processo que consiste em programar uma criança para que odeie um dos seus genitores (o genitor não guardião) sem justificativa, por influência do outro genitor (o genitor guardião), com quem a criança mantém um vinculo de dependência afetiva e estabelece um pacto de lealdade inconsciente. Quando essa síndrome se instala, o vínculo da criança com o genitor alienado (não guardião) torna-se irremediavelmente destruído. Porém, para que se configure efetivamente esse quadro, é preciso estar seguro de que o genitor alienado não mereça, de forma alguma, ser rejeitado e odiado pela criança.”

A SAP pode trazer muitas dificuldades para a criança e também quando essa se torna adulto. No curto prazo a criança aprende a manipular os adultos e a demonstrar sentimentos e reações não verdadeiras. Com o tempo vai distanciando-se de suas verdadeiras emoções e vai desidentificando-se, podendo adquirir vários transtornos de identidade e quadros como depressão crônica, incapacidade de se adaptar em novos ambientes sociais, transtornos de imagem, dependência de álcool e drogas e algumas vezes suicídio. Pode apresentar sentimento de culpa incontrolável por descobrir que injustiçou no passado o pai e/ou a mãe.

Pais e Filhos

É preciso pensar muito bem quando se envolve os filhos nos problemas do casal, querendo apoio para seus próprios sentimentos em relação a um dos parentes. O marido deixa de ser marido, mas jamais deixara de ser pai daquela criança, a mãe deixa de ser esposa, mas jamais deixara de ser mãe daquela criança.

Por esse motivo, os pais precisam pensar muito no futuro de seus filhos, pois destruir figuras parentais tão significativas para os filhos causam um rombo grande na estrutura dessas crianças, rombo esse muitas vezes irremediável. Casamentos podem ser refeitos através de novos romances, mas as figuras parentais de pai e mãe jamais se refazem em nossa psique e coração.

Fortaleça seu amor pelo seu filho ao sentir o ódio pelo companheiro recém separado, saiba que esse ódio vai passar ou ao menos amainar, mas, o amor que você tem pelo seu filho permanecera para sempre. Faça essa opção pelo amor e pelo seu filho, isso só vai fazer você mais forte e feliz agora, e em um futuro próximo lhe proporcionará uma vida sem arrependimentos.

 

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