Onde Está o Poema?

Onde Está o Poema?
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça - Especialista em Autoestima, Relacionamentos e Relacionamentos Amorosos
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça

Nesse mundo moribundo o poema está morrendo. Gemendo de dor o poeta agoniado é derrotado pela fome. A alma atolada em lixo tenta se expressar e existir e é enterrada no “deixe de sentir”.

Onde estamos?

Em que mundo vivemos hoje?

Nosso senso de existência e pertencimento foi deslocado das “Odes” para as marcas famosas.

Vestimos nossos corpos e despimos nossas almas. Qual é nosso gênero Humano?

Nós somos o resultado de tudo aquilo que vimos, ouvimos, sentimos e esquecemos.

Somos eterno presente. Tudo o que É, Era.

Não esquecemos nada, somente deixamos cair no centro escuro de algum lugar de nós mesmos.

Água parada e limitada, até que um dia vem uma enxurrada, não sei de onde, e traz à tona, a margem, cadáveres esquecidos. Tudo está ali novamente, pleno e repleto.

Cadáveres tão vivos.

Sou do tipo poeta tuberculoso. A tosse já tenho, só falta a magreza. Emagrecer uns quilinhos me fariam bem. Fico enjoado de mim, me falta poema. A letra se nega, as pausas são longas.

Falta música no meu olhar, minhas mãos correm…

Fogem com liberdade.

Não faço nada bem.

Sei de tudo um pouco.

Sou tão superficial.

Eu me sei através dos outros.

Como eles se sabem? Disso eu não sei.

Confuso.

Correto.

Conexo.

Completo…

Me sinto gelo.

Me sinto pedra.

Me sinto Dó.

Sem poesia não vivo. Mas pra que poema? Não enche a pança. Poetas aqui são esfomeados.

A arte prostituta, nesse mundo de fiasco. Estamos planeta sem alma. Viramos carne podre à vinagrete.

Esse poema devia trazer esperança.

Mas…

Esse não é um poema.

É a falta de um poema.

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