O Que é Dependência Afetiva?

O Que é Dependência Afetiva?
Psicóloga Odegine Graça - Especialista em Autoestima, Relacionamentos e Relacionamentos Amorosos
Psicóloga Odegine Graça

O texto abaixo parece tão lindo, e em seus meandros esconde as sutilezas entre o amar e a dependência afetiva. Veja:

E morro porque não morro…eterno prazer amargo, o do amor! Perpétuo desejo de possuir a tua alma, e perpétua distância da tua alma! Seremos sempre tu e eu; apesar de os meus olhos olharem de tão perto os teus, haverá sempre um espaço onde cada um de nós forma uma imagem mentirosa do outro… Como é possível compreender o que sentes quando ouves aquela música, se a minha alma é diferente da tua? Egoísmo amargo, o do amante: querer ser um onde dois existem; querer lutar com o espaço, com o tempo e com o limite!

 

Fernando González

É muito importante deixar bem claro aqui o que é um relacionamento baseado no depender afetivamente, esse tipo de relação tão falado hoje em dia.

Dependência afetiva é um vício. Quando não conseguimos nos pensar independentes desse outro no qual eu me aprisiono, quando digo “minha vida não tem sentido sem ele(a)”, “eu preciso dele(a)”, estou viciado. Estou doente.

Valter Riso em seu livro “Amar ou Depender” descreve da seguinte maneira:

“Depender da pessoa que se ama é uma maneira de se enterrar em vida, um ato de automutilação psicológica em que o amor próprio, o autorespeito e a nossa essência são oferecidos e presenteados irracionalmente. Quando a dependência está presente, entregar-se, mais do que um ato de carinho desinteressado e generoso, é uma forma de capitulação, uma rendição conduzida pelo medo com a finalidade de preservar as coisas boas que a relação oferece.“

O dependente afetivamente vai aos poucos perdendo a cor, o brilho próprio, de repente não sabe mais o que gosta por ele mesmo, ou se pode ir ao cinema, almoçar, ou passar um dia sozinho. Passa a vestir-se como o outro deseja que ele se vista, a gostar das coisas que o outro gosta e ate mesmo a falar dos assuntos que o outro fala. Seu mundo é traçado a partir da perspectiva do outro. Sente-se inseguro para expressar uma opinião que seja diferente da opinião do parceiro, com medo da possibilidade de rompimento do relacionamento.

preso ao amor

Sob o disfarce de amor romântico, a pessoa dependente afetivamente começa a sofrer uma despersonalização lenta e implacável, até se transformar em um anexo da pessoa amada, um simples apêndice.

Em muitos casos a dependência afetiva é mútua, ambos precisam desesperadamente um do outro para viver. Quando a dependência é mutua, o enredo é funesto e tragicômico: se um espirra, o outro assoa o nariz. Ou, numa descrição igualmente doentia, se um sente frio, o outro coloca o casaco. Prestem bem atenção, não estou falando de cumplicidade de um casal que tem uma forte relação e se conhecem profundamente, estou falando de vicio, de patologia, de eu já não existo sem aquilo, sem aquele outro, sem aquele vicio, minha existência não tem sentido sem ela, vivo por ele e para ele, ela é tudo para mim, ele é a coisa mais importante da minha vida, não sei o que faria sem ele, se ele me faltasse eu me mataria, eu venero você, enfim, a lista de expressões desse tipo de declaração é interminável.

Tenho insistido no assunto, pois o apego irracional e patológico tem se tornado uma epidemia em nosso tempo. É bastante preocupante ver vidas destruídas tão violentamente por esse vicio afetivo. Procurar ajuda é fundamental. É preciso ter em mente que a terapia e o esforço pelo autocontrole são necessários e que o caminho da cura é o mesmo de outros vícios: um dia de cada vez, só por hoje.

Grupo de Discussão Sobre Relacionamento Amoroso Cá Entre Nós

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