O Mais Forte é Quem Pede Desculpas

O Mais Forte é Quem Pede Desculpas
Psicóloga Odegine Graça - Especialista em Autoestima, Relacionamentos e Relacionamentos Amorosos
Psicóloga Odegine Graça

“O mais Forte é Quem Pede Desculpas.

Se você errou, peça desculpas…

É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?”

Cecília Meireles


Entre os muitos erros que cometemos ao nos relacionarmos está o de pensar que o mais forte do casal é aquele que permanece mais tempo emburrado, ou seja, aquele que não dá o braço a torcer de maneira alguma. Esse é mais um ledo engano. Do casal, o mais forte é sempre o mais flexível, e normalmente é esse quem pede desculpas.

Culpar o outro por nossos atos e se pensar totalmente certo é uma amostra de que o casamento, o relacionamento, está doente. Gary Chapman em seu livro, “O que não me contaram sobre o casamento, mas que você precisa saber” dá algumas dicas sobre isso. Ele diz:

“Não há casamento saudável sem pedido de desculpas e sem perdão. Cheguei a essa conclusão a partir do fato de que todos nós somos humanos, e humanos, as vezes, fazem e dizem coisas ofensivas as outras pessoas. Essas palavras e ações  sem amor criam barreiras emocionais entre as pessoas envolvidas. Essas barreiras não vão embora com o tempo. Elas são removidas apenas quando pedimos desculpas e a parte ofendida decide perdoar.“

Enfiar a sujeira debaixo do tapete, fazer de conta que nada aconteceu e esperar que com o tempo a pessoa esqueça e as coisas se resolvam por si  mesma não é uma atitude inteligente, pois o passar do tempo somente agrava as coisas e aumenta a mágoa, até que o casal fica a ponto de bala sem nem mesmo saber o porque. É a chamada gota d’agua que faz o copo transbordar. Ou seja, um simples olhar desenlaça uma discussão terrível e para quem está olhando fica assoberbado o quanto um motivo tão bobo pode causar uma briga tão feroz. É que a pessoa só está olhando o momento e perdeu o histórico no tempo. Um acúmulo de agressões, mesmo que sejam pequenas, podem desencadear uma reação em cadeia ao passar do tempo. Para que isso não aconteça é preciso exercitar a linguagem do perdão.

Segundo Gary Chapman, a primeira das cinco as linguagens do perdão é a manifestação de arrependimento:

“(…) Você precisa dizer do que se arrepende. A palavra desculpe sozinha é muito genérica. Por exemplo, você poderia dizer: Me desculpe por chegar em casa uma hora mais tarde. (…) Me desculpe por perder a cabeça e levantar a voz. Sei que foi duro e que isso a magoou profundamente. Um marido não deveria jamais falar assim com a esposa. Sinto que a humilhei. Só consigo imaginar como me sentiria mal se você falasse comigo assim. Você deve estar muito magoada, e peço desculpas por tê-la ferido.“

Imagine você como a pessoa tem que ser forte para demonstrar abertamente seu erro e pedir desculpas, definindo aquilo que fez e mostrando assim empatia pelo sentimento do companheiro. Isso é linguagem do perdão, e essa linguagem “é uma linguagem emocional. Procura expressar para a outra pessoa sua própria dor emocional devido as palavras ou o comportamento que a magoaram profundamente.“

A segunda linguagem do amor é a aceitação da responsabilidade. É muito fácil para a maioria de nós culpar o nosso companheiro pela discussão ou por todo o mal do casamento, ou mesmo em uma discussão em que sabemos que estamos errados é muito difícil de admitir esse erro claramente e tomar a responsabilidade dos nossos atos de maneira integral. “Estou assumindo a responsabilidade por meu comportamento e sei que estava errado.”

“A terceira linguagem do perdão é a compensação do prejuízo. Ela se resume mais ou menos nisso : “Sei que não posso desfazer o que fiz, mas gostaria de ter uma oportunidade de concertar as coisas. Quero que pense a respeito e me diga o que eu poderia fazer para me acertar com você. Podemos ir a qualquer lugar ou fazer qualquer coisa. Você merece o melhor e quero lhe dar isso.“ Não existe perdão sem reparação, e é muito importante lembrar disso.

A quarta linguagem do perdão é o arrependimento genuíno. Vamos dar uma olhadinha como seria isso: “Um homem que perdeu a cabeça de novo disse: Na gosto disso em mim. Nao é bom. Sei que fiz a mesma coisa na semana pasada. Isso precisa parar. Você merece mais do que isso. Você pode me ajudar a pensar no que fazer para garantir que isso não aconteça novamente?”. O desejo dele de mudar comunica a esposa que está pedindo desculpas com sinceridade. “

É sempre importante lembrar que essa pessoa realmente quer mudar e não somente dar mais uma desculpa para continuar seu comportamento agressivo e abusador. É muito importante saber definir esses limites.

Por fim, a quinta linguagem do perdão é o pedido de perdão. É simples assim: Você me perdoa?

“Você as magoou, e elas querem saber: você quer ser perdoado? Você quer remover a barreira que seu comportamento causou? Pedir perdão é o que toca o coração delas e exprime sinceridade.“

O essencial é estar disposto.

Vale aqui lembrar que tudo isso é valido para relacionamentos normais. Quando já adentrou no patológico, quando a agressão não se restringe a palavras e comportamentos ocasionais e se tornam violência verbal, física ou psicológica, ou algo rotineiro e repetitivo, deve-se procurar ajuda especializada de maneira urgente pois ambos estão doentes, a vítima e o agressor.

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