O Estresse Nosso de Cada Dia

O Estresse Nosso de Cada Dia

Thays Araujo

Psicóloga CRP 08/12185

Hipnoterapeuta Ericksoniana

Projetos em Qualidade de Vida e  Grupos de Crescimento e Desenvolvimento Pessoal

Em 2001, pesquisa com 619 pessoas, na cidade de São Paulo, demonstrou um índice de 21% de estresse entre os homens e de 41% entre as mulheres. Pesquisas realizadas pela UFRJ em dezembro de 2003 com 327 adultos (215 mulheres e 112 homens), que transitavam por uma praça no Rio de Janeiro mostraram que 242 (74%) estavam estressados, sendo que foi observada diferença entre homens e mulheres, cujos índices de estresse foram, respectivamente, 77,7% e 67%. Conforme pesquisa realizada pelo Centro Psicológico de Controle de Estresse, em janeiro de 2004 com 915 adultos (601 homens e 314 mulheres), funcionários de escritórios de várias empresas da cidade de São Paulo, que não ocupavam cargos de chefia e que aceitaram passar por uma avaliação de estresse, verificou-se que 40% do total dos entrevistados tinham sintomas de estresse, sendo 228 homens (38%) e 145 mulheres (46%).

Estes dados revelam a seriedade do tema, a repercussão do estresse na sociedade e que o assunto está sendo amplamente comentado e divulgado em revistas e jornais.

Atualmente, o estresse é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma epidemia mundial e Tamayo e colaboradores (2004, p. 45) afirmam que “o estresse é visto atualmente como um problema de saúde pública, econômica e social que traz, como conseqüência, gastos para o indivíduo, para as empresas e os governos”.

O estresse tem por objetivo adaptar o organismo a uma condição externa ou interna que, de alguma forma, esteja alterando a percepção de bem-estar vivenciada pelo sujeito (Calais, Andrade, & Lipp, 2003). Seger (2001, p.214) também traz uma definição de estresse em termos de adaptação, ou seja, como uma resposta não específica do organismo a qualquer mudança ambiental. O organismo tenta adaptar-se, elaborar um comportamento na presença de uma situação, face à qual seus padrões habituais de referência encontram-se superados, de modo que o seu repertório pessoal de respostas comportamentais se revela insuficiente.

As respostas emitidas na reação ao estresse se dão através de um estímulo estressor que pode ser externo e/ou interno. Os estímulos estressores externos representam as ameaças do cotidiano de cada um (uma ameaça física, segurança, saúde, ameaça moral). Por sua vez, as ameaças internas provêem dos conflitos pessoais de cada um (características de personalidade) (Lipp, 2003). Desta forma, um estressor pode ser uma pessoa, uma situação, um acontecimento e/ou um objeto capaz de proporcionar suficiente tensão emocional levando à reação de estresse.

Clínicas de SPA tem oferecido serviços focados no estresse e concentram profissionais de diferentes áreas como nutrição, medicina, psicologia, reflexologia, fisioterapia, massoterapia, aulas de yoga e meditação, terapias alternativas, fitoterapia, acupuntura, aromaterapia, etc.

Na área da saúde, diferentes profissionais podem contribuir com tratamentos para o estresse após minuciosa avaliação clínica.

Na área médica as intervenções enfatizam alimentação adequada, exercícios físicos regulares, repouso, lazer e diversão, qualidade do sono, tratamentos hormonais e de doenças coronarianas, redução do nível de ansiedade, fortalecimento do sistema imunológico, tratamento para tabagismo, medicação (se necessária e sob acompanhamento), etc.

Na área da nutrição trabalha-se com a reeducação alimentar, ingestão de alimentos saudáveis que combatem radicais livres, redução do consumo de alimentos com cafeína, açúcar, gorduras saturadas e sal.

Fisioterapeutas utilizam massagem, RPG (Reeducação Postural Global), aulas de Pilates.

O que se tem observado é que estas intervenções atuam nos sintomas de estresse já instalados, sendo poucos os profissionais que desenvolvem práticas preventivas.

Dentro das empresas, o estresse tem sido abordado em Programas de Qualidade de Vida no Trabalho, em palestras nas atividades da CIPA (Comissão Interna de Acidentes) e da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho). Além disso, em programas de Coaching e de Administração do Tempo.

No que se refere à Psicologia, a Terapia Cognitivo-Comportamental tem como ações mais comuns para se trabalhar com o estresse, o treino em habilidades sociais, treino de resolução de problemas, técnicas de relaxamento/respiração e mudança de crenças (Caballo, 1996; Lipp e Malagris, 1998; Lipp, 2003). Essas técnicas tem como objetivo auxiliar as pessoas a identificar o que lhe gera estresse e, a partir disso, aprender a lidar com seus estressores e mudar hábitos de vida visando aumentar a qualidade de vida.

Portanto, existem formas de lidar com o estresse, minimizando ou reduzindo seus efeitos negativos na saúde das pessoas.

Referências

Caballo, V. E. (1996) Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. São Paulo: Santos.

Calais, S. L.; Andrade, L. M. B.; Lipp, M. E. N. (2003). Gender and schooling differences in stress symptoms in young adults. Psicologia: Reflexão e Crítica 16(2), 257-263.

Lipp, M. E. N.; Malagris, L. N. (1998). Manejo do stress. In: Range, B., Psicoterapia comportamental e cognitiva: pesquisa, prática, aplicações e problemas (pp.279-291) Campinas: Editorial Psy.

Lipp, M. E. N. (2003). Mecanismos neuropsicofisiológicos do stress: Teoria e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Seger, L. (2001). O stress e seus efeitos no profissional, na equipe e no paciente odontológico. In: M.L. Marinho; V.E. Caballo, Psicologia clínica e da saúde. Londrina: Ed. UEL.

Tamayo, A. (org). (2004). Cultura e saúde nas organizações. Porto Alegre: Artmed.

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