O desafio de aprender com o não

O desafio de aprender com o não

 

 

 

Mariliz Vargas

Psicologa e Escritora

Conseguir dizer não para o que está nos incomodando, para o filho que precisa de limite, para o colega que pede o que está alem do nosso alcance, é difícil e exige força.

Para receber o não que a vida nos dá, na forma de uma rejeição, de uma recusa no trabalho, da frustração de um sonho, exige mais força ainda.

Força para resistir e não sucumbir e transformar este não em revolta e justificativa para nossa amargura.

Força para transformar este não em combustível de aprimoramento, possibilitando que, além da conquista do que desejamos, o desenvolvimento interior seja atingido. Esta é a função dos nãos que recebemos no decorrer da vida.

O Poder do Não.

As negativas que recebemos têm o poder da lapidação, que vão eliminando os excessos e os vícios com o objetivo de revelar o melhor da nossa natureza para este mundo. Mas para isto é preciso que se tenha consciência deste processo, pois caso contrário, corre-se o risco de se deixar abater ou mesmo dominar pela revolta diante dos nãos que recebemos. Precisamos de força e consciência para não transformarmos o não em trauma. Como, por exemplo, no caso do rapaz que recebe um não da namorada e decide nunca mais se relacionar.  Por isso é importante uma educação para o não, que seria o correspondente a uma educação para o fortalecimento interior. Esta pedagogia do não está embasada na confiança plena no potencial humano, pois somente com esta base poderemos ter a tranquilidade necessária para exigir destes seres, sempre mais do que eles têm manifestado até agora.

O caminho da aceitação.

É importante ressaltar também que existe um caminho natural de reações humanas cada vez que a vida nos apresenta uma negativa. Cada etapa varia de intensidade dependendo da força deste não que recebemos. Primeiramente é natural que haja revolta, é a reação emocional a frustração. Pode desencadear tristeza, raiva, sentimento de rejeição ou de estar sendo injustiçado. Num segundo momento tentaremos forçar uma mudança deste não para sim buscando, através dos meios que dispomos, que a realidade acate os nossos desejos. Este processo é importante, pois aqui nosso potencial humano já é exigido, visto que é preciso se mobilizar e angariar recursos internos para tentar reverter a situação. Quando esgota seus recursos, sentindo-se exausto diante do limite que a vida lhe impôs, outro importante aspecto humano é solicitado. A aceitação, que é um sentimento análogo à fé. A aceitação promove a humildade perante a vida, que é diferente do conformismo, pois não advém da preguiça e sim da redenção. Mas o último momento neste processo pode levar algum tempo para acontecer. Seria este o entendimento, a compreensão do por que o não precisou ocorrer neste determinado ponto da trajetória de vida. Esta é a hora onde o verdadeiro amadurecimento ocorre, e junto a ele o fortalecimento de toda estrutura emocional que se torna mais equipada para enfrentar a realidade. Assim, no final do processo, a sua auto confiança será reforçada, e também a capacidade de entrega, de resistência e de luta sofrerão um significativo acréscimo de energia. Isto tudo significará sempre a conquista de mais saúde e também mais felicidade.

Mariliz Vargas é escritora dos livros Você é mais forte que a dor,  A Sabedoria do não e Viver na Luz que fazem parte da coleção Despertar da Consciência, série destinada a colocar em primeiro plano da vida aspectos essenciais do ser humano que muitas vezes são ignorados.

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