Fazer Terapia É Legal

Fazer Terapia É Legal

Será que hoje em dia ainda existe aquele preconceito bobo de que fazer terapia é coisa pra gente louca? Acho que não… tomara que não… afinal, quem realmente, e por realmente entenda como clinicamente comprovado, quem realmente é louco, não faz terapia.

Quem realmente faz terapia são pessoas que querem crescer como ser humano, crescer como pai, como marido, como esposa, como filho, como patrão, como funcionário, como empreendedor, como tio, como avó, avô e sucessivamente todos os papéis que vivemos nesse mundão.

Existe um caso específico de terapia que ao mesmo tempo que traumático é um dos processos mais bonitos e eficazes dentro desta área, que é a terapia de casal. Raramente chega o casal no consultório, raramente o parceiro vem por livre e espontânea vontade, muitas vezes nem chega a vir, mas quando se consegue estabelecer uma terapia de casal completa (com as duas pessoas que integram o casal) o processo de crescimento de ambos é maravilhoso. Não temos um futuro pré estabelecido, assim como tudo o mais na vida. Eles não irão permanecer um casal necessariamente, nem vão separar-se necessariamente. O fato real é que “terapia de casal” é o nome que se dá para o processo de descobrimento do que é, como se faz e todas as coisas relacionadas a um sentimento incrívelmente potente no ser humano, o amor. O homem é um ser que ama e que precisa amar e ser amado, e quem diz isso não é este que se dirige a vós, e sim Humberto Maturana, um gênio travestido de Biólogo.

Quando aprendemos sobre amor, nos tornamos mais verdadeiramente humanos. O homem não nasce homem, ele nasce um bichinho esquisito que vai se tornando humano a medida que passa o tempo… ou não. Tornar-se humano é tanto opção pessoal como consequência do ambiente, e por ambiente entenda-se todo o meio físico e social no qual a pessoa está inserida. Já conheci pessoas maravilhosas vindas de famílias e ambientes altamente improváveis de gerar uma beleza de tal magnitude, e vice-versa, óbviamente. O que diferenciava uma da outra sempre foi a opção pessoal. Em última instância podemos dizer que a opção pessoal é o fator X que separa os seres humanos dos “mutantes”.

Especificamente sobre amor, quando estamos dispostos a melhorar nossa vivência dentro desta faceta emocional, precisamos necessariamente de alguém para fazer junto, e esse alguém precisa estar disposto a também fazer junto, e para isso não serve pai, não serve mãe, não serve irmão, não serve ninguém a quem a sociedade entende que precisamos ter amor incondicional, afinal amor incondicional não é amor, é jaula. Nem alguém por quem sentimos amor e acabou. É necessario alguém a quem podemos amar, mas podemos não amar… podemos escolher se queremos amar ou não, se queremos ver ou não, se queremos conviver ou não, alguém que queremos ter como parte da nossa vida ou não. E atualmente, fora algumas ilhas culturais isoladas neste mar de relações que é nossa sociedade, a separação e o divórcio não são mais punidos com a morte ou com extradição social.

Eu fiz esse processo… eu vivi esse processo… aprendi a amar, aprendi o que é amor, sai de uma relação de dependência de drogas emocionais autoproduzidas e encontrei uma relação de respeito, carinho, consideração, crescimento mútuo e que além disso, possui todos os outros sinônimos que aprendi nesse caminho para amor. Inclusive a própria palavra: tenho uma relação de muito amor.

Obrigado mundo, obrigado ao meu amigo que marcou uma sessão de terapia sem me avisar e me obrigou a ir, obrigado a quem viveu esse caminho comigo e obrigado a todos aqueles que contribuiram de qualquer forma para que eu conseguisse me tornar pelo menos um pouquinho mais humano do que era antes… ainda não consegui parar de rosnar de vez em quando, mas já avancei bastante.   J

Depoimento de um Terapeutizado, produzindo um texto livre a partir do título, resposta padrão para a pergunta que recebe ocasionalmente: “Você faz terapia? Por que?”

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