Família, Nosso Bem Nosso Mal – Uma Visão Transgeracional

Família, Nosso Bem Nosso Mal – Uma Visão Transgeracional
Psic. Odegine Graça

Todos nós possuímos vozes familiares gravadas em nosso interior. Sem que percebamos, elas influenciam nossas decisões e nossas escolhas. Não somo seres livres para desejar, assim como pensamos. Desde criança, figuras significativas do nosso mundo familiar nos influenciam. Quando digo nosso mundo familiar, não estou falando somente de pai, mãe e irmãos, estou falando das gerações que vieram antes deles.

Hoje se sabe através do estudo da Transgeracionalidade, que gerações passam crenças,  costumes, marcas, enfim, registros, para outras gerações, e muitos desses registros funcionam dentro da família e regem a mesma de maneira inconsciente. Os anseios, dificuldades, ditos e acima de tudo os não ditos, vão passando de pai para filho, de geração a geração, em círculos repetitivos. Estudar a Transgeracionalidade é compreender os padrões familiares que se repetem de geração em geração.

Esses padrões são definidos a partir de fenômenos de lealdade, valores, mitos, ritos e legados. Esses fatores são considerados uma força invisível que maneja as pessoas, indo mesmo além do seu desejo individual, onde ela é levada por uma força desconhecida. Ser leal é marca de pertencimento ao grupo, e essa lealdade depende do papel dado pelo grupo a esse indivíduo. Dentro do universo familiar, cada membro da família recebeu um papel dado a ele Transgeracionalmente.

Boszormenyi-Nagy e Spark (1973) identificaram a palavra lealdade  como sendo proveniente do vocábulo francês loi, ou seja, lei. O indivíduo, sob lealdade, introjeta uma lei, uma trama do grupo, e deve seguir as expectativas do mesmo para poder  ter pertencimento. É sobre o conceito de lealdade que se estruturam as relações familiares. Essa lealdade depende de regras e estruturas que vem antes do individual e devem ser obedecidas se o sujeito quer pertencer, ser aceito, por esse sistema.

 

Nossas relações familiares são sempre justas. O conceito de justiça aqui não deve ser confundido com prazeroso ou agradável, mas sim como obediência as leis familiares, as quais podem ser muito disfuncionais. Carregamos nossa família em nossos gens, em nossas mentes, em nossas energias, em nossos sonhos e em nossa realidade consciente. Por mais que queiramos não pertencer a esse sistema, nós pertencemos. Negar nossas origens de nada adianta. Calar a respeito das dores familiares, fazer segredos, somente fortalece os mitos e mandatos.

Mas então, o que fazer?

Trabalhar nossa ancestralidade hoje, com sinceridade, carinho e reconhecimento. Chorar o que tiver que ser chorado, reviver o que necessita ser visto e resolvido e acima de tudo, perdoar. Perdoar muito, para que no final você possa ter um self diferenciado, para que você possa ser você mesmo, para que você possa renascer das cinzas como uma fênix vitoriosa, e ser inteiro, lindo, saudável e feliz, assim como toda uma nova geração que vira de você.

Transgeracinalidade é um dos pontos chave na Imersão Vivencial RenaSendo (clique aqui para visitar o site), um trabalho muito bonito que venho fazendo e que tem dado a muitas pessoas uma oportunidade concreta de ultrapassar seus próprios limites. Não limites impostos somente pela sociedade, ou somente por o que ela credita, mas limites impostos por gerações que ela nem chegou a conhecer, que estão na sua vida e ela mesma nunca chegou a entender.

 

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