Dia dos Namorados – O amor Está no Ar

Dia dos Namorados – O amor Está no Ar
Psic. Odegine Graça

O dia dos namorados é uma chamada comercial, uma dessas entre o dia das mães, dos pais e das crianças. O apelo do comércio por vendas, entretanto, tem machucado muitos corações.

Quando vai chegando esse dia, aqui no consultório, vai virando uma choradeira só. A maioria das mulheres, principalmente, sente que o dia dos namorados sem um namorado significa condenação eterna. As falas mais comuns são:

  • Mais um ano e eu aqui…
  • Acho que ninguém vai me querer.
  • Talvez eu tenha nascido para viver sozinha mesmo.
  • Como eu gostaria de me casar, mas acho que de verdade ninguém me quer.

Entre tanto choro e desanimo, tento lembrar que o dia dos namorados não significa necessariamente uma data definitiva para resolver todos os problemas amorosos da vida. As pessoas pensam que viver a vida sem um companheiro é ter fracassado de alguma forma. Quando  pensamos em namorar, os mitos de Hollywood tomam nossas mentes e logo pensamos na pessoa perfeita que magicamente vai cair em nosso colo de alguma forma espetacular. Aquela coisa de o amor não escolhe a hora ou se ele tiver que ser meu e tem alguém muito especial esperando por mim são provas de como nosso imaginário é construído por essas imagens, tão ideais quanto  tentar vestir as sandálias da Gisele Bündchen para se parecer com ela. Na vida real o buraco é mais embaixo.

Normalmente não queremos relações tão felizes quanto pensamos que queremos. Esta chocado? Pois é… a maioria das vezes trazemos mandatos familiares de infelicidade conjugal e repetimos isso sem ao menos termos alguma consciência que estamos sendo negociados por dividas não pagas de nossos antepassados. Sim. Isso  é bem verdade. Hoje a Transgeracional nos traz estudos muito sérios de repetição de padrões familiares em varias áreas de nossas vidas. Falando de maneira muito simples para que todos entendam, você já viu famílias em que todas as filhas mais velhas se casaram com homens alcoólatras e espancadores, mesmo que esses se tornassem assim somente depois de se casarem? Ou já viu famílias inteiras de mulheres que são traídas pelo marido dividindo o mesmo com uma amante que tem quase tanto tempo com ele quanto ela e por vezes tantos filhos quanto elas mesmas? Ou famílias em que o casamento parece ser uma benção até que algum dos dois adoece gravemente e esse casal passa a vida todo em torno de uma doença grave? Pois é, isso se chama mandato familiar, e os mandatos impeditivos do amor saudável são inúmeros. Talvez porque esse seja um dos aspectos mais importantes de nossas vidas enquanto seres humanos.

De que adianta termos todo o ouro do mundo e não termos com quem dividir? Nosso coração busca aconchego, nossa alma busca alguém que nos entenda, nos abrace no final do dia quando tudo foi escuro, triste e frio. Esse é nosso desejo consciente, porém, os mandatos familiares vão além do nosso desejo consciente enquanto indivíduos. Nossos sistemas, nossa família, nossa geração anterior, tem muito mais poder que nosso desejo individual. As famílias têm regras, normas, ordens, que existem antes de nós e existirão depois de nós. Bert Hellinger chamou isso de “Ordens do Amor”. E me acreditem lindas e lindos, essas ordens nada tem haver com algo bonitinho e rendado, muitas vezes elas nos impelem para repetição de tristezas ansiedades e abandono. Nossa alma procura essa ordem, mas também nossas vidas como um todo busca a felicidade.

É possível reconhecer esses mandatos, olhar para eles e seguir adiante como seres individuais vivendo a felicidade. É sim possível redirecionar essa energia, reposicionar esses afetos, e reutilizar essas energias complexas para a nossa felicidade e daqueles que virão depois de nós. É isso que a Constelação Transgeracional acredita. Assim como Virginia Satir, mãe da sistêmica,acreditamos sim que a mudança é possível. Acreditamos no amor verdadeiro e feliz, porém consciente, lúcido, e muitas vezes, a maioria das vezes, ele acontece quando nos conhecemos e ultrapassamos os nódulos de solidão e busca de morte. Até mesmo quando não acontece de entrar um companheiro, nos sentimos inteiros e realizados e desta forma, no dia dos namorados estamos completos e apaixonados, por nós mesmos.

Eu ensino uma musiquinha de reprogramação para minhas pacientes que costuma ser muito eficaz. A letra é a seguinte:

Que haja sempre sol..

Que seja sempre luz..

Que mesmo estando só, não seja solidão.

Porque em seu coração,

O amor vai chegar.

Primeiro por você,

Depois por outro alguém.

Pense, sinta e introjete essas palavras na sua vida, esse é seu primeiro passo para mudança.

Cuide-se bem.

 

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