Cuida de Mim?

Cuida de Mim?
Psic. Odegine Graça

Esse fim de semana eu e meu marido, durante nosso programa predileto (ficar na cama, ver seriados e filmes, comer pipoca e fazer muito carinho um no outro) estávamos falando sobre como sentíamos falta da nossa filha de nove anos que esta passando as férias na avó. Meu marido falou do desejo de ter outro filho, para cuidarmos, já que nossa filhinha logo já estaria independente e “não ia quere a gente no pé dela”.

Hoje, vindo trabalhar, dirigindo, olhando o sol e o céu azul, me veio o assunto na cabeça e tive um momento de lucidez e horror. Percebi os quantos em nossa vida diária, em nossa sociedade atual, deixamos de cuidar dos outros.

Ontem também meu marido e eu falávamos como seria legal ficarmos velhinhos juntos. Eu lembrei que no domingo mesmo passamos por um lar de idosos quando íamos almoçar, e a propaganda era: “Existe vida”, com dois velhinhos sorrindo.

Pensei então como temos que deixar nossos filhos em creches, escolinhas, etc., quase desde seu nascimento, e como depois abandonamos nossos pais em lares para idosos, porque não temos mais tempo de cuidar uns dos outros. Pensei, que trabalhamos exaustivamente para comprar um carro melhor, um computador melhor, dar uma escola super boa para nossos filhos e comprarmos… comprarmos… e sermos felizes…

Será? O que tornamo-nos nesse caminho? Onde foi parar nossa humanidade? Ser humano é saber cuidar de nossos filhos, de nossos netos, de nossas relações. Até mesmo o ficar velhinhos juntos hoje é bem pouco provável, pois as relações estão descartáveis. É a cultura Fast Food, tudo super rápido, quando vimos já passou. É a cultura das Barbies e Kens onde temos que ser sarados e jovens sempre. Nesse caminho nos perdemos e já nem sabemos mais quem somos de verdade. Somos obrigados a buscar na TV, nas revistas de moda, nas ruas, nos outdoors, o que somos e o que deveríamos ser.

Em determinado momento, quando ficamos bem sozinhos, (afinal disso ninguém escapa, mesmo que seja na hora da morte), refletimos: Nossa, que vazio é esse? Que aperto no peito… Que AR que esta me faltando? Então nos damos conta que nem todas as bugigangas do mundo podem suprir essa necessidade de carinho, cuidado, de calor humano, de dar e receber amor.

Amor de verdade, aquele forte que agüenta os repuxos da vida, que exige do outro ao mesmo tempo em que se exige para ser melhor e mais humano. Nessa jornada tão curta de nossos dias, saber que teremos esse momento para olhar nos olhos de quem amamos, seja filho, marido, esposa, pai, mãe, é precioso para seguirmos adiante com força nas pernas, esperança no coração e lucidez na mente e acima de tudo uma alma cheia de luz a procura de outras almas cheias de luz de ser humano verdadeiramente.

Lembre-se, Ser e Ter não são sinônimos e nem ao menos são parecidos. Quando alguém te perguntar “Quem é você?”, lembre-se disso antes de responder “sou médico”, “sou psicólogo”, sou “analista de sistemas”, sou “administrador”, etc.

Você é um ser humano. Inteiro, amoroso, que cuida e que aceita ser cuidado.

Um grande abraço afetuoso e cuidem-se bem, ok?

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