Constelações Sistêmicas – Mais que uma técnica de terapia, uma Forma de Vida

Constelações Sistêmicas – Mais que uma técnica de terapia, uma Forma de Vida
Psicóloga Odegine Graça

As constelações sistêmicas são normalmente definidas como uma abordagem de terapia
breve, a qual tem por enfoque o sistema no qual o individuo está inserido. Pessoalmente vejo
as Constelações Sistêmicas como uma nova maneira de encarar a vida. Quando conheci as
constelações, meu cérebro deu um nó, muitas coisas que eu jurava serem certas dentro do
meu sistema mostraram-se totalmente erradas e acima de tudo nocivas para minha vida.

Encarar e viver os conceitos das constelações é sem dúvida alguma abandonar velhas crenças e
romper com limites daquilo que julgávamos certo e seguro. Porém, colocar o nosso campo em
ordens e viver nas Ordens do Amor, engendrando nos Movimentos do Espírito, faz com que
nossa vida ganhe significado diferente e que horizontes totalmente novos se abram diante de
nossos olhos. Viver essa revolução interna e externa é mudar o leme do navio da vida e sair de mares bravios e tempestuosos para adentrar em mares mais calmos e seguros. Sim, pois seguir as leis da vida como ela é realmente ao invés de querer força-la a ser, nos traz uma incrível segurança. Somos tomados pelo calor da gratidão e como disse Bert Hellinger, a gratidão diminui o medo. E com o medo menor e acima de tudo, colocado no lugar certo no nosso
sistema, podemos caminhar rumo à felicidade. Entretanto, para ser feliz é preciso ser humilde e corajoso, ainda segundo Hellinger.

Precisamos ter coragem de romper com nossos próprios grilhões e com nosso ego inflado e ser humilde o suficiente para reverenciar e reconhecer quem veio antes que nós. Encontrar soluções é um caminho novo para todos nós, e continuando a citar Hellinger, é bem mais fácil sofrer que encontrar a solução. Fomos condicionados a vitimização e ao sofrimento heróico, reprimindo nossos verdadeiros sentimentos, principalmente a raiva, sem perguntar qual o
resultado disso para nós e para os outros membros de nosso sistema familiar.

“Nos sistemas humanos, a raiva reprimida volta à tona mais tarde, justamente nas pessoas que menos podem defender-se contra ela. Na maioria das vezes são os filhos, os netos, e eles não chegam a tomar consciência disso (…) portanto, quando os inocentes preferem sofrer a agir, aumenta logo o número de vítimas inocentes e de ofensores culpados.”

É muito interessante pensar que nossas decisões e atitudes não beneficiam ou prejudicam somente a nós e somente o momento presente, mas refletem em todo o nosso sistema familiar, rompendo tempo e espaço e atingindo como um raio terrenos além da nossa própria imaginação. Não somos sozinhos, não vivemos isolados, estamos ligados a uma consciência maior do que esse Eu individual com o qual aprendemos a nos identificar tão bem e nos enganar que somos isso somente. Somos além desse ego, somos um NÓS . Essa consciência familiar sistêmica se reflete em uma consciência Universal, e todos temos o direito de pertencimento, todos temos um lugar. Isso é reconfortante.

Estar em sintonia com esse movimento ordenado, sábio, seguro, é estar em contato com a fonte, é respondermos a segurança de repousar no centro de nosso ser. Perceba esse “nosso” no mais amplo sentido. Então descobrimos que é possível ser feliz e que a felicidade sempre esteve aqui, bem próxima a mim, a disposição, o tempo todo, e eu não conseguia olhar para ela.

A partir do momento que abandono minhas histórias de sofrimento e aceito com calma e leveza a vida em sua ordem, entro no movimento dessa consciência maior e experimento a tranquilidade de todas as coisas em mim, sabendo que sou no todo e continuarei a ser nesse todo, além do tempo e espaço linear, além de mim, eu continuo sempre.

Então, todos os medos se vão, pois o maior deles, o medo da morte, da eterna solidão, é desfeito. Afinal, tudo que existe é VIDA.

Por Odegine Graça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia deste Módulo:

01- Ordens do Amor, Bert Hellinger
02- Constelações Familiares – O Reconhecimento das Ordens do Amor
03- Constelação Familiar: Relato de Conflitos e Soluções, Ana Lucia Braga
04- Fenomenologia da Percepção, Maurice Merleau-Ponty
05- Revista Cult: A Realidade da Alma Humana, artigo A alma Como Realidade Psíquica na
Fenomenologia por Tommy Akira Goto
06- Quando Fecho os Olhos Vejo Você, Ursula Frank
07- O Amor do Espirito
08- No Centro Sentimos Leveza, Bert Hellinger
09- http://www.casadasfadas.psc.br (cadastre-se para receber os textos)
10- http://www.transgeracional.com.br
11- http://www.idehi.com.br

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