Como Evitar a Dependência Afetiva?

Como Evitar a Dependência Afetiva?
Psic. Odegine Graça

Eu não posso viver sem ele(a).

Ele(a)  é tudo para mim.

É muito ruim, essa relação está me matando, mas eu não consigo viver sem ele (a).

Essas afirmações são características de pessoas que tem um vício de  “amor”. Depender afetivamente de uma pessoa está longe de ser amor. É vício, e como tal apresenta todas as características de sofrimento quando se tenta evitá-lo e todas as características de alivio quando o satisfazemos. Só que novamente a necessidade se apresenta e o ciclo destrutivo se repete sempre. É o chamado “cachorro correndo atrás do próprio rabo”. Esse ciclo permanece até que se pense que a coisa não tem jeito,  aí se justifica com  a celebre frase tão ouvida: “Ruim com ele, pior sem ele”.

Quando um relacionamento dito amoroso começa a afrontar sua dignidade pessoal e a ferir o seu autorespeito desconfie de que você não esta amando, mas sim esta dentro de uma paixão que faz mal, dentro de uma doença, de um vicio.

Walter Riso em seu livro “Amar ou Depender?” diz :

“A dependência de afeto corrompe. Significa que sob essa triste urgência afetiva somos capazes de atentar  contra a nossa dignidade pessoal. Nesses momentos prementes, nem a moral, nem os valores mais apreciados parecem suficientes para conter a avalanche. Tudo cai por terra. Vendemos o que não está a venda, negociamos com o respeito e nos arrastamos além do imaginável desde que consigamos a dose de afeto de que necessitamos. ”

Como nos sentimos fracos as vezes? Como nos sentimos fracos quase sempre se estamos inseridos em uma relação afetiva não compensadora.

É necessário que amor traga respeito. Saiba de uma vez por todas que quem fere você não te merece. Ainda o mesmo autor acima citado diz a esse respeito:

“Merecer significa se fazer digno de. Expressões como entendo você, aceito você, gosto de você, fico feliz, seu amor é um presente, são manifestações de aceitação, de uma boa recepção.”

A dependência afetiva é um vicio, é um desejo de posse. É uma tentativa de ter controle sobre o amor. Walter Riso abre seu livro com um poema de Fernando Gonzales:

“E morro porque não morro… Eterno prazer amargo esse amor! Desejo perpétuo de possuir sua alma e perpétua distância de sua alma! Sempre seremos tu e eu, sempre, apesar de meus olhos fitarem os seus de muito perto, haverá um espaço em cada um onde se forma uma imagem mentirosa do outro… Como é possível entender o que sentes ao ouvir aquela música,  se minha alma é diferente da sua? Egoísmo amargo esse de amante:  querer lutar com o espaço , com o tempo, com o limite!”

Para amar verdadeiramente uma outra pessoa é preciso em primeiro lugar se amar e para se amar é preciso se conhecer. A maioria dos relacionamentos que experimentamos são puramente projetivos, ou seja, enganosos. Como diz o poema, mentirosos.  Espelhamos no outro aquilo que é somente nosso.

Lembre-se que amor está longe de ser sofrimento, angústia constante, implorar por atenção ou qualquer outro modelito de Sabrina ou novela das oito.

Amor é tranqüilo, é crescimento, é opção.

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