Cinderela Vai a Luta

Cinderela Vai a Luta
Psicóloga Odegine Graça - Especialista em Autoestima, Relacionamentos e Relacionamentos Amorosos
Psicóloga Odegine Graça

Era uma vez…

Uma linda menina princesa que vivia muito feliz e tranquila em companhia de seu pai e de sua mãe em um belo castelo da família. Tudo era calmo e feliz naqueles tempos, até que um dia a mãe de Cinderela morreu.

Seu mundo desmoronou. Seu pai antes tão seguro e feliz andava errante pelo castelo, com a barba por fazer, coroa torta na cabeça com um mau cheiro de afastar até o servo mais fiel. Chorava feito criança o dia todo. O reino estava completamente abandonado.

Os conselheiros preocupados com o rei e com o reino se reuniram tentando encontrar uma solução para a tristeza do rei. Depois de horas e dias reunidos, eles decidiram que precisavam de ajuda e procuraram a bruxa mais poderosa do reino.

A bruxa, muito assertiva, perguntou se existia alguma coisa com a qual o rei se importasse muito. Os conselheiros responderam unanimes: sua filha, Cinderela, pois ela se parecia muito com a mãe. Então a bruxa apresentou a solução: “Digam ao rei que ele precisa arranjar uma esposa imediatamente, pois sua pequena filha precisa urgente de uma mãe”.

Os sábios seguiram os conselhos da velha bruxa.

O resultado foi muito satisfatório. O rei muito comovido, lançou um decreto por todo o reino a procura de uma boa mãe para ser sua esposa. Centenas de mulheres belíssimas se apresentaram ao rei e nenhuma despertara nele o mínimo interesse. Até que uma mulher, nem tão linda assim, em companhia de suas duas filhas muito bem vestidas e comportadas, se apresentaram diante do trono do rei.

Após as três fazerem reverência, a mãe que estava no meio disse ao rei:

– Majestade, peço perdão por trazer minhas duas filhas comigo, mas sou viúva e eu mesma cuido das minhas filhas sozinha. Teço suas roupas, faço sua comida, limpo a casa e cuido dos seus bons modos. Moramos em uma vizinhança perigosa e pobre, não tenho confiança em deixa-las sozinhas sem a minha proteção, e ao ler seu decreto pensei na pequena princesinha, sua filha que está sem mãe, e meu coração materno bateu mais forte. Viajamos então três dias e três noites a pé, com fome e com frio, para nos apresentarmos diante de vossa majestade. A mulher, como brilhante estrategista, soltou um suspiro com lágrimas nos olhos.

O rei comovido com tanta dedicação, tomou a mulher imediatamente como sua esposa, e Cinderela foi apresentada a sua madrasta e suas filhas somente pouco antes do casamento. Tão surpresa ficou que nem ousou protestar. O casamento se deu com grande pompa e luxo.

Uma semana depois o castelo e o rei estavam completamente diferentes. O rei cheiroso e de barba impecável, assinava ordens que modificava a vida de todo o reino. O castelo foi pintado com cores vibrantes e alegres e havia música no ar. Os corredores cheiravam flores e o jantar era servido pontualmente. Tudo tinha regras e horários, e acima de tudo, Cinderela não podia mais dormir na cama do pai, comer todas as porcarias que quisesse, e dormir até tarde. Também tinha que tomar banho, escovar os dentes e trocar as roupas íntimas todos os dias. Sua vida tornara-se um verdadeiro inferno. Isso era simplesmente insuportável para a menina.

O tempo foi passando e Cinderela foi se revoltando cada vez mais com as irmãs submissas a mãe e com o pai totalmente escravo da rainha madrasta, mandona e má. Cinderela só pensava em uma coisa: “Espera eu crescer e você vai se ver comigo.”

O tempo passou e a menina cresceu. Ao fazer dezessete anos, decidiu libertar-se de vez daquela mulher ordinária, que havia lhe tirado tudo o que lhe pertencia. Então tramou uma grande vingança contra a madrasta e contou com a ajuda de alguns súditos que permaneciam fiéis a ela, pois não gostavam nada do jeito mandão e controlador da madrasta malvada da Cinderela.

Fato é que no dia da tão sonhada vingança, a rainha apareceu sabendo de tudo. Ela contava com informantes entre os súditos de Cinderela.

A rainha fez as malas da princesa adolescente e a expulsou do castelo, de mala e cuia, para tramar em outras bandas.

Cinderela quando se viu obrigada a morar em um pensionato barato, escuro e mal cheiroso, repensou seus atos e decidiu voltar e pedir perdão para a madrasta, que ouviu as desculpas e aceitou a menina de volta desde que ela lavasse, passasse e cozinhasse para todos do castelão. Cinderela aceitou com a esperança de que o rei, seu pai, tivesse piedade dela e se voltasse contra a madrasta malvada. Isto não aconteceu.

O rei adoeceu gravemente e logo depois morreu. A rainha estava atolada em dívidas e teve que abandonar o castelo e o reino fugindo dos credores. Conseguiu carregar consigo duas bolsas de ouro, e dois diamantes, o que permitiu as mulheres recomeçarem suas vidas em um reino próximo. Cinderela tomou o lugar de empregada da família, em troca de casa e comida. A mãe e as duas filhas começaram a procurar maridos príncipes e reis daquele reino, com a esperança de conseguir a mesma qualidade de vida que tinham antes.

Um dia receberam o convite para um baile que teria no castelo e nesse baile o príncipe escolheria uma moça para se casar. As meninas se animaram completamente, inclusive Cinderela, que teve a alegria cortada pela madrasta, que disse em alto e mal tom: “Você não irá a baile nenhum, ouviu sua pirralha prepotente.”

Cinderela chorou e chorou durante dias e noites inteiras, tamanha era a sua dor e frustração.

O dia do baile finalmente chegou, e foi um dia muito corrido para todas, inclusive para Cinderela, que lavou, passou e cozinhou para uma multidão de costureiros, cabelereiros, massagistas e maquiadores que vieram arrumar sua mãe e suas irmãs. Entre essa gente toda, Cinderela conheceu a chefe da equipe, uma linda moça muito bem humorada e inteligente. Entre a conversa Cinderela perguntou à moça quando ela iria se arrumar para o tão sonhado baile. A resposta foi uma estrondosa gargalhada.

– Eu? você só pode estar de brincadeira, né? Esse príncipe já escolheu mais de 50 princesas e no dia seguinte ao baile sempre dá um jeito de livrar-se das pobres coitadas. Tem semanas que temos dois bailes. O rapaz é um mimado e mulherengo. É um farrista com inteligência deficitária. Eu? Não obrigado tenho mais o que fazer da minha vida. E você também deveria pensar o mesmo. Veja só você, uma jovem inteligente e bonita, vestida em trapos, correndo para lá e para cá a mando dessas três caça maridos incompetentes. Você deveria se envergonhar de ser tão covarde assim.

– Que? – disse Cinderela, quase não acreditando em seus ouvidos. – Quem é você para falar assim comigo? Você me conhece por acaso? Sabe quem sou eu? Já me revoltei e tudo o que consegui foi parar em um pensionato fedorento.

– Nossa, pobrezinha da vítima, tô com muito dózinho.

Cinderela furiosa lançou o vaso que tinha nas mãos em direção a moça, que desviou-se com maestria. A moca olhou satisfeita para os cacos no chão e começou a aplaudir euforicamente.

– Muito bem moça boazinha, agora estou começando a gostar do que vejo. Se usar essa raiva como força a seu favor, logo estarei realizando o seu baile, para VOCÊ escolher o seu príncipe.

Cinderela aturdida repetiu em som quase inaudível:

-Você acha mesmo?

-Acho não. Tenho certeza. O que você faz de melhor?

Cinderela pensou e pensou.

– Acho que é dançar.

-Acha?

-Tenho certeza – concluiu cinderela.

– Pois bem – continuou a moça. – Eu tenho um conhecido que está formando uma companhia de dança para um espetáculo itinerante entre os castelos dos mais variados reinos. Ele está procurando uma primeira bailarina, pois a da companhia casou-se. Posso levá-la até ele para que faça um teste.

-Mas minha madrasta jamais permitirá isso.

– Ora, ora! E quem disse que ela precisa saber? Você já tem dezoito anos não é mesmo?

– Sim.

– Então vamos hoje, enquanto ela estiver no baile. É o tempo suficiente para você fazer o teste. O que você acha?

-Maravilhoso – respondeu Cinderela entre uma pirueta e outra.

A menina-moça enfrentou um coreógrafo muito exigente, que a contratou dizendo que ela precisava melhorar muito ainda, embora fosse muito talentosa. Teria que treinar e ensaiar de 6 à 8 horas diárias. Cinderela concordou e imediatamente perguntou se já poderia ficar por ali naquela noite mesmo, pois aproveitaria para começar a ensaiar bem cedinho. O coreógrafo gostou muito da iniciativa e fecharam o contrato.

Assim, cinderela despediu-se da amiga com lagrimas de gratidão e um forte abraço. Quando a amiga já estava desaparecendo, cinderela gritou:

– Ei! Ei! Quem é você? Eu nem mesmo sei o seu nome.

A moça respondeu sorrindo:

– Sou sua fada madrinha. Tá certo que não fui a primeira escolha, tive antes que derrotar uma antiquada, que queria levá-la ao baile dentro de uma abóbora com ratos de cocheiros, mas tudo bem…

-Como foi que a derrotou? – Quis saber Cinderela.

– Eu a tranquei no banheiro da estação de viagem.

As moças riram em gargalhadas.

Cinderela viajou o mundo dançando. Ganhou paginas de jornais e ficou conhecida como uma grande bailarina. E então tornou-se coreógrafa, dirigiu grandes espetáculos, abriu uma escola de dança para meninas e meninos de rua. E nunca se casou. E lidou muito bem com a tristeza e a solidão de sua vida. E sorriu muito. E foi a maioria dos dias feliz.

Enfim, morreu velhinha, entre muitos admiradores e amigos. Sua obras são mundialmente reconhecidas e ela é homenageada até hoje por seus feitos.

Fim.

 

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