Casamento e Desenvolvimento Pessoal

Casamento e Desenvolvimento Pessoal
Psic. Odegine Graça

Os sexos são talvez mais próximos do que se possa acreditar; E a grande renovação do mundo consistirá, sem dúvida, nisto: o homem e a mulher, libertos de todos os erros, de todas as dificuldades, não se buscarão mais como pólos contrários, mas como irmãos e irmãs, como próximos. Unirão suas humanidades para suportar juntos, gravemente, pacientemente, o difícil peso da carne que lhes foi dada.

Rainer Maria Rilke

 

Se olharmos para a história dos casais, principalmente aquela gravada no inconsciente coletivo, ficaremos realmente desesperados. O casal, e o casamento, vêm aí inscritos como um sonho que jamais foi realizado, como uma ilusão de amor e em sua grande maioria, histórias de sangue, suor e lágrimas. Porém, se sairmos desse contexto do até aqui, do que acontece simplesmente enquanto repetição de padrão e olharmos para dentro, para o casal interno, descobrimos que ainda pode haver esperanças para o amor.

Existe dentro de nós um casal que se realiza em sete etapas que se encaixam umas nas outras. Paule Salomon vem nos dizer desses sete tipos de casais em seu livro “A Sagrada Loucura dos Casais” da seguinte maneira:

Eu descobri que o casal, dentro e fora de nós, se realiza em sete etapas que se encaixam umas nas outras. Esses sete tipos de casais, do mais arcaico ao mais evoluído, passando pelo mais conflitante, revelam uma outra face do amor. Conhecer esse processo, tomar consciência dessa trajetória, é avançar com um candeeiro na mão dentro das trevas do inconsciente do paradoxo amor e ódio, sempre tendo em vista a intuição de que o amor é  encontrado e revelado no final dessa viagem em espiral.

Essa é uma esperança maravilhosa que brilha em nossas almas, diante de tantas trevas e desespero em termos de relacionamento amoroso em nossos dias. O que vemos de bastante real nessa proposta é que:

“Jamais associamos o êxito do casal a noção de uma mudança pessoal. Contudo, só pode permanecer vivo à medida que os dois seres evoluem em direção a si mesmos. Num casal, não se deve querer que o outro mude, mas sim a própria pessoa, no sentido de que cada ser é uma flor a desabrochar sob o sol da consciência do outro. As bodas interiores de cada um são feitas de equilíbrio entre o masculino e o feminino e do nascimento desse andrógino que é a criança sol, ou o si mesmo.”

A individuação, a busca desse ser inteiro dentro de cada um de nós já é a muito uma proposta Junguiana de vida e crescimento interno. Aqui, quando se aplica no casal, descobrimos que esse encontro de dois seres pode progredir em direção a aliança de dois núcleos, de suas duas crianças-sol. Uma bonita proposta de caminho que diferencia de propostas ilusórias de como conquistar seu homem ou mulher em vinte e quatro horas com truques sexuais e outros truques.

A busca interna pela nossa proposta de amor e recuperação de nós mesmos pode ser considerada sim a busca verdadeira do Graal e de nosso verdadeiro companheiro, ou no fim da viagem talvez a descoberta de que não necessitamos de um companheiro externo e que preferimos viver essa integração em um caminho sozinho, mas nunca solitário e que optamos por sermos inteiros e integrados no universo eterno, no qual todos temos o eterno direito de pertencimento e muito amor.

Descobrir esse caminho é sem dúvida saber que somos inteiros e felizes e acima de tudo que é impossível estar sozinho. Todos temos muito amor e todos temos o direito de mergulhar na fonte do amor inesgotável do universo.

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