Casamento à Distância

Casamento à Distância
Psic. Odegine Graça

Em uma seqüência de textos estamos discutindo novas maneiras de se relacionar e as novas famílias que estão surgindo.

Um outro modelo de relação cada vez mais normal entre os casais é o chamado casamento à distancia. Por exigência da sociedade, principalmente do mercado de trabalho, casais casados em que cada um vive em uma cidade, por vezes em países diferentes, vem se tornando cada vez mais comum. Em sua grande maioria esses casais foram obrigados a separarem-se por exigência do trabalho de um deles, mas em alguns casos, o fazem por opção.

Para aqueles que o fazem por opção, tudo começou com o acordo eu tenho o meu quarto e você tem o seu. Hoje essa relação evoluiu para eu tenho meu apartamento e você tem o seu. Qual é a chance desse tipo de relação dar certo? Provavelmente a porcentagem é a mesma de um casamento normal, tudo vai depender da vontade e da adaptação do individuo as circunstancias que se apresentam como desafios a relação.

Fato é que relação não tem fórmula mágica, nem receita de bolo, algo que dá certo para todo mundo. Por vezes maneiras muito diferente de relação dão muito mais certo do que os modelos tradicionais. Quando duas pessoas têm amor e acima de tudo decisão de fazer aquela relação dar certo e conseguem manter essa decisão firme e forte com ações diárias que fortaleçam a mesma, com certeza o direcionamento será o sucesso.

Presença ou ausência muitas vezes não são físicas somente. É preciso estar inteiro nos momentos em que se está junto e viver o máximo possível todos os segundos de presença para poder lembrar com doçura na ausência e assim ter motivos para esperar ansiosamente ate o momento de estar juntos novamente.

Aqui, como em qualquer outra relação, o desafio é construir um relacionamento com alicerces sólidos, onde a confiança prevaleça e esteja estabelecida cumplicidade acima de qualquer circunstância adversa ou situação aleatória que possa vir a querer abalar a relação. Sou inteiramente a favor da vontade humana, penso que nas nossas relações prevalece nossa decisão, feita através de nossa vontade.

Não acredito em ser arrebatado por amores enlouquecedores, de se perder o juízo. Acredito sim em trocas – trocamos uma relação por outra mais compensadora, e isto podemos justificar com sensações, ou paixões, ou qualquer outra espécie de emoção arrasadora, mas no fundo tudo se justifica por escolher algo que nos trás um ganho maior. Somos seres humanos e vivemos a base da troca. Nem sempre somos justos com o outro, a maioria das vezes não o somos, e vivemos depois com a culpa de nossos atos.

Bendita e maldita culpa. No lugar certo, bem dita, no lugar errado, mal dita. Essa é nossa natureza. Que isso não nos sirva de desculpa, mas sim de consciência, para que possamos saber mais de nós, daquilo que vai em nosso escuro e que justifica verdadeiramente nossas ações. Assim podemos optar por melhorar como ser humano e construir relações cada vez mais verdadeiras e amorosas.

De perto ou de longe, que possamos optar por estar sempre perto, de coração e alma.

 

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