Aprendendo Com o Amor

Aprendendo Com o Amor
Psic. Odegine Graça

“… e ainda que distribuísse toda minha fortuna para sustento dos pobres e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. “

Trecho da primeira Carta aos Coríntios de São Paulo.

Minha alma está azeda. Eu não tenho vontade de nada. Tantas coisas se passaram e tudo deu errado. Não acredito mais no amor. Não quero mais me relacionar… Isso dói… Isso machuca…

Mas… Eu me sinto tão sozinho(a), a vida para mim perdeu totalmente o sentido.

Essas frases escuto diariamente no consultório. Elas normalmente são seguidas de lágrimas e uma enorme tristeza permeia o ar.

É bastante comum na tentativa de se proteger logo após um termino de relacionamento tentarmos nos afastar de qualquer possibilidade de amor. No momento em que estamos muito feridos, isso nos parece perfeitamente lógico e nesse momento não diferenciamos pessoas, e cantamos a canção da Rita Lee: “de longe as pessoas são todas iguais, de perto eu conheço esse rosto de outros carnavais”.

Todos os homens, mulheres da face da terra nos parecem muito iguais. E quase sempre logo depois do termino de uma relação nos prostramos na posição de vítimas do amor e, nesse papel, culpamos o outro por toda a desgraça de nossa vida. Entramos na posição “a culpa é toda sua”. Nesse momento não conseguimos compreender que esse é um mecanismo de defesa usado pelo nosso ego para permanecer seguro. Culpar os outros é uma forma de mascarar a verdade que não conseguimos enfrentar. Nesse processo, vamos nos sentindo cada vez mais desconfortáveis e alienados, e a agressividade vai crescendo, porque não conseguimos olhar para nós mesmos e assumir nossa parte da história, e quando não fazemos isso, tornamo-nos agressivos com a outra pessoa para desviar nossa própria atenção de tudo o que aconteceu de fato em nossas vidas e nas nossas relações.

Por algum tempo isso até dá certo, mas por um período muito curto. Essa fuga de si mesmo não pode ser prolongada, pois é de fato a negação do próprio EU, dos próprios sentimentos. A seqüência disso é a pessoa não querer se mostrar e muito menos se ver. Essa pessoa passa então a evitar com todas as suas forças, olhar, falar e pensar sobre qualquer sentimento que o leve em direção a essa lembrança, assim cai em uma névoa de si mesmo e se perde no caminho de sua própria vida.

A tentativa de negar faz com que a ansiedade suba a um nível tão alto que a pessoa começa a SE ESQUECER, ela vai literalmente perdendo a memória. Se esquece não somente do que passou e magoou, vai com o tempo erguendo a barreira tão fortemente que se esquece de tudo, até das menores coisas. Chaves, compras, carteira, número do telefone, senhas do banco, filhos na escola, etc. Esse bloqueio, muitas vezes, chega ao cume de não conseguir mais resolver coisas muito simples de sua vida diária.

Freud Dizia que é preciso lembrar para poder esquecer. Quando simplesmente enterramos bem fundo os relacionamentos, as coisas que nos machucam, esse bloqueio é como semente lançada em terra fértil, que vai se transformar em uma árvore frutífera de dor e paralisia, de sofrimento que se manifesta na forma de repressão, a qual fará tanta pressão que certamente vai sempre romper a barreira de maneira muito dolorida e deixando muitos estragos atrás de si.

Não existe como fugir de si mesmo, do nosso passado, de nossas emoções. Quando olhamos verdadeiramente para tudo o que nos aconteceu com amor e respeito e reconhecemos que isso agora faz parte de nós, de nossa vida, nos tornamos mais fortes e realmente aprendemos com a experiência, e assim não precisamos “repetir de ano”.

Tudo aquilo que nos acontece nos ensina algo e nos torna realmente mais fortes. Por maiores que sejam as dificuldades, sempre existe muita força a nosso dispor e aumentamos muito nossa capacidade de resistência a cada passo que damos rumo à aceitação da vida como ela é. E me acredite, a vida é bela, exatamente como ela é. Somos munidos de uma força incrível, de uma capacidade de transformação fantástica, e podemos levantar, sonhar e amar, sempre, por mais que a experiência anterior pareça dolorida.

Somos seres amorosos. O amor é a célula inicial que funda todo o mecanismo psicológico e físico do ser humano, e quando confiamos nele, no seu poder, vamos mudando como resultado de nossas próprias experiências internas, e nos estruturamos como um organismo que resiste até mesmo a morte, pois desde sempre morrer é não poder viver a vida em toda sua intensidade. A relação consigo mesmo, com seu corpo, com todo o espaço de sua convivência, se dá no amor o tempo todo, por mais que muitas vezes não consigamos reconhecer seu rosto em algumas experiências dolorosas. Ele, o amor, está ali, sempre ali. Acredite.

Você é puro amor.

Grupo de Discussão Sobre Relacionamento Amoroso Cá Entre Nós

 

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