A Sagrada Loucura dos Casais

A Sagrada Loucura dos Casais
Terapeuta e Consteladora Odegine Graça

“O encontro consigo mesmo e o encontro com o outro são inseparáveis, e chega um momento em que o inferno não é jamais o outro. A fórmula se inverte, o paraíso é estar com o outro. O que seria de um paraíso sem um outro? “

Paule Salomon

 

Pensamos durante  muito tempo que a vida era  somente uma sucessão de eventos. Dias, meses, horas sem um significado, muito distante do que aquilo que os nossos olhos viam imediatamente. Nesse olhar encontrar um bom companheiro dependia em grande parte da boa sorte de nossas vidas.

Hoje, porém, sabemos que a vida, o mundo, tem muito mais profundidade e aspectos muitas vezes invisíveis, que influenciam, e muitas vezes determinam nossa maneira de viver e nosso relacionamento pessoal, principalmente o romântico. A vida muitas vezes pode nos parecer peças de um grande quebra cabeças em 3D.

“Vivemos a cada instante pelo menos em dois planos ao mesmo tempo. Um plano superficial, onde nos agitamos mais ou menos freneticamente, onde agimos, o plano do fazer, e um plano mais subterrâneo, aquele do ser, onde teremos o fio dos sentidos. Parece que cada um de nós herda a consciência coletiva do planeta, da sociedade e do circulo mais restrito da família. A experiência pessoal é forjada a partir dessa herança.”

Paule Salomon, em um profundo estudo sobre casais, vem propondo um instrumento de autoconhecimento e exploração da relação com o outro, trazendo luz a isso que chamamos de amor. Ela diz:

“Falo da aventura do casal, da esperança e do projeto de amor que há no casal, que é uma maneira de fazer conexão, de estabelecer uma re-aliança entre o social e o individual. Entre o Eu e o Nós social, O Nós do casal, estabelece uma ponte. A relação entre homem e mulher é o fundamento dos valores de uma sociedade, pórtico de uma civilização.”

A relação de casal é fundamental não somente para a felicidade pessoal, familiar, mas também para uma sociedade mais ajustada e feliz.  A autora continua:

“Quanto mais conscientes estivermos de nossa conduta coletiva e individual nesse encontro de diferenças dos sexos, mais avançaremos na conquista de uma vida reconciliada.”

O que seria isso, uma vida reconciliada? Se pensarmos um pouco, vivemos em guerra, desarmonia, desordem conosco mesmo e com os outros e principalmente como casal. Por que será? A autora continua:

“Minha convicção hoje, é a de que a humanidade tem procedido por tentativa e erro, assim como a própria ciência. Toda a diferença, inclusive a diferença de sexos, começou por ser vivida no medo, medo do outro, rejeição do outro. O desejo de viver, o desejo de se reproduzir, o desejo de prazer foram os primeiros impulsos, acompanhados do desejo de morrer e de fazer morrer, de sofrer e de fazer sofrer. Suprimir, excluir, dominar, foram as respostas instintivas dadas a esse medo arcaico. Aceitar, coabitar, apreciar, amar, são respostas evolutivas para viver o desejo de amor.”

Esse amor arcaico acompanhado desse medo severo fez a relação do casal úmida e enuviada.

“Nesse encontro, a tarefa do homem e da mulher é a de levar o instinto de reconciliação ao centro da atração sensual. Contudo, durante milhares de anos isso não foi o suficiente para evitar o conflito entre os sexos. Esses dois princípios complementares da vida foram excluídos ferozmente e mutuamente se reproduz essa exclusão nos divórcios modernos. O medo arcaico está sempre presente e continua a alimentar uma resposta  inadequada, conflituosa.”

A pergunta aqui é: Isso tem solução? É possível resolver tais conflitos? Como sair desse circulo vicioso? A resposta quem no traz é a própria Paule:

“Pelo conhecimento. O instinto não foi o suficiente, foi preciso apelar para a inteligência das coisas,  e veremos que o humano ainda assim precisa descobrir uma forma suprema, superior de instinto, uma intuição global e sintética para tirar partido da inteligência, e esse amor ordenado globalmente dentro e fora de nós é que procuramos desenvolver com o autoconhecimento.”

Aqui, em cada novo artigo, estaremos falando ainda mais desse assunto, ok?

Abraços a todos.

 

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