A Proibição das Palmadinhas

A Proibição das Palmadinhas

Odegine Graça

Psicóloga CRP 08/07936

O momento é realmente de repensar.

A música que não é de criança, mas denota uma criação que aceita e acha até sensual apanhar diz  “um tapinha não dói…”. Será mesmo?

Hoje existem milhares de mulheres que apanham e são vitimadas por pessoas que pensam ser seu amor. Pois é, nosso cérebro trabalha através de distorção, de generalização e de omissão, e se você apanhou ou foi abusado de alguma maneira quando criança, e digo que é quase impossível um ser humano que não foi abusado de alguma maneira quando criança, irá generalizar para seus relacionamentos de adultos.

A palmadinha corretiva tem inúmeros  adeptos, até muitos por religião. Muitos cristãos utilizam a varinha de marmelo ungida para corrigir seus filhos, afinal está na bíblia.

Conflitos à parte, vale a pena dizer que a maioria das vezes que utilizamos de algum instrumento de violência com nossos filhos não é porque eles precisam, mas sim porque nós, pais, precisamos disso. Muitas vezes, e não são poucas, não temos estrutura emocional, física e mesmo inteligência para responder nossos filhos e então utilizamos as palmadinhas corretivas. Normalmente é descontrole dos pais e não necessidade dos filhos apanhar.

Se a necessidade fosse de quem apanha, porque não admitimos nem um tapinha em alguém adulto? No adulto temos que dialogar, mostrar nosso ponto de vista, convencer, etc. mas, na criança, basta descer a lenha se ele não entende.

Realmente, temos que desenvolver mecanismos que nos permitam dialogar mais e melhor com nossos filhos além de intrumentalizar nosso interno para crescermos como ser humano, para podermos criar uma cultura de paz e não violência começando na criação de nossos filhos.

Realmente não precisaríamos de leis externas se tivéssemos o desenvolvimento interno suficiente para nos relacionarmos sem violência, mas infelizmente ainda somos seres bem primitivos, porém em crescimento. Espero que em breve, não necessitemos de tantas leis externas para conseguirmos criar seres humanos mais amorosos e comprometidos com a vida e com o amor.

Enquanto isso…

(A psicóloga participou do programa “Toda Tarde” exibido nesta quarta-feira 28/JUL/2010 na TV Transamérica, cujo tema era justamente a polêmica lei da proibição das palmadinhas)

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