A Gotinha Mágica

A Gotinha Mágica
Psic. Odegine Graça

Era uma vez uma gotinha que se achava somente mais uma entre tantas gotinhas.

Por vezes sentia tão minúscula e sozinha que tentava se esconder entre as outras
grandes gotas de chuva. A gotinha era tão pequena que quase todos passavam por ela
desapercebidos.
Um dia houve uma grande tempestade e todos as gotas do céu deveriam  descer em
sua maior fúria marcando presença, foi a ordem dada pelo grande pai trovão.
Ai..Ai..Aiii.. espremeu-se a gotinha. Como faria isso? Nunca havia sido notada em todas
as chuvas e evaporações, ela continuava sempre a mesma, do mesmo tamanho
insignificante. E agora ? O que faria ?
Foi nesse momento que um raio que ia passando meio desapercebido de toda a
algazarra das gotas percebeu a gotinha encolhida e sofrendo em um cantinho bem
escondidinho do céu. E o raio perguntou meio barulhento: O que há pequena gotinha?
Porque está assim, tãoo… tãoo… encolhidinha?
É.. sabe como é né seu raio! Todo mundo aqui vai marcar mais presença do que eu…
só para variar né? Eu, como sempre, vou passar despercebida, sendo pisoteada entre
as gotas maiores. É sempre assim que acontece comigo. Queixou-se a gotinha.
Como assim? Perguntou o raio já um pouco mais estrondoso.
Assim mesmo seu raio. Eu sempre sou despercebida.
Como é que sabe disso?, perguntou o raio.
Horas bolas… ergueu os ombros a gotinha. Sabendo. Pela maneira como as coisas
acontecem comigo.
A maneira como as coisas acontecem? Você acaso não é aquela gotinha de Hiroshima
e  Nagazaki?  Aquela única que  ficou sem contaminar-se e subiu ao céu limpinha
servindo como primeira gota ao alquimista do céu limpador das águas?
Ah… lembrou a gotinha, meio sorridente e meio constrangida. Sou eu mesma. Acho
que escapei por ser a menor de todas e por ter esse gingadinho… a gotinha dançou um
pouquinho.. e deu um  sorrisinho… ai ninguém conseguiu me pegar e eu escapei.
Ehhh… mas, isso não foi grande coisa.
Você sabia que um povoado inteiro com milhares de pessoas foi salvo  graças a você
conseguir manter-se pura? Não… não sabia, admitiu a gotinha super surpresa.
E acaso não é você a gotinha do nordeste das chuvas de agosto que revitalizaram todo
um solo já muito sofrido?
AH! lembrou a gotinha alegre… aquela foi meio impensada sabe… eu vi aquela povo
todo sofrendo e toda a chuva com medão de cair… ai eu sabia que se uma única gota
caísse do céu as outras eram obrigadas a seguirem, essa é a lei das  chuvas sabe.
Então, nem pensei muito e me joguei com tudo. Eu sabia que eu não faria diferença
nehuma. Mas… as minhas irmãs sim. Então, eu pulei. Mas, isso não foi grande coisa.
O raio já estava quase explodindo  quando falou. Dona gotinha… a senhora encontra
muito prazer em sua posição de vitima. É só que olhar, como é coitadinha, e não tudo
aquilo que te faz grande e mágica. A senhora pode continuar aí se lamentando e
dizendo sempre ai de mim… grande coisa o que eu fiz…pobre de mim… Ou levantar-se
e entender que é uma gotinha mágica, muito especial que não existe nenhuma única
gota em todo o céu como a senhora, e assumir toda a sua grandeza e cumprir com
suas tarefas no céu e na terra ou..
A gotinha já envergonhada. Disse: Não, não seu raio, tudo bem. Eu já entendi. Acho
que estou vendo as coisas de uma perspectiva cômoda para mim. Pois sem ver meu
verdadeiro valor posso ficar aqui só me lamentando e culpando os outros e isso é bem
mais fácil do que entender que sou uma pequenina gotinha mágica e super importante
nesse sistema em que vivo e que sem mim muita coisa grande não existiria e nem
existirá, vou assumir a responsabilidade de ser grande e de ser feliz. Vou aprender a
fazer isso.
O raio, bem mais satisfeito, sorriu para a gotinha. É isso mesmo. Então vamos descer e
fazer um estardalhaço lá embaixo..
Mas… eu sou tão pequena…
Dona gotinha!!!!
Ehhhh… os dois riram muito e desceram abraçados fazendo o maior barulho e naquela
noite todos os que moravam debaixo do céu não dormiram..

Artigos Relacionados