A Caixa de Pandora

A Caixa de Pandora

Psic. Odegine Graça

Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social
Vivemos em um mundo em transição. O velho modelo já não nos serve e o novo não sabemos exatamente como é. Estamos em processo, em transição. Tateamos a procura de soluções para nós e nosso lar, o planeta Terra. Semelhante ao irmão de Prometeu, Epimeteu, o qual aceitou e abriu a caixa de Pandora como uma dádiva valiosa, nós aceitamos a revolução industrial e tecnológica como valores absolutos sem questionamentos. Delegamos o humano, a natureza e outros valores que não julgamos comerciais para longe de nossa vida diária e eles não eram prioritários. Nosso erro cartesiano nos trouxe funestas conseqüências.

Nesse início de milênio, surge os resultados de nossos atos, vivemos em um planeta que ameaça a vida do homem. Efeito estufa, vulcões, furacões, maremotos, gritam o desequilíbrio de nossos feitos.

O que fazer? Como fazer? Fechar rapidamente a caixa de Pandora como alguns cientistas têm feito nos deixaria sem esperança, a mercê do caos destrutivo de nossos próprios atos, e isto seria por certo nossa destruição. É preciso despertar. Acordar e agir contra nossos próprios feitos do passado. Não podemos voltar a época das cavernas e nem continuar no caminho do consumo desenfreado e ilógico como nos encontramos. É preciso refletir e transformar nossos padrões de produção, consumo e relacionamento. É preciso mudar valores, pensamentos e comportamentos para que possamos nos desenvolver e sustentar.

A noção de desenvolvimento sustentável vem surgindo, com sua premissa de base: ou seja, pensar globalmente e agir localmente. Este pensamento vem construindo uma nova linguagem de comunicação global. Essa noção e sua aplicabilidade vem se construindo desde 1970 (Dresner, 2002); esses modelos aplicados de desenvolvimento sustentável, partem do pressuposto da necessidade de observar o processo sob a ótica multidisciplinar e integrada.

Esse modelo integrado obedece a três pressupostos básicos. São eles: integrar as dimensões que o conformam; ser um processo adaptativo no transcorrer do tempo; deve ocorrer em determinado local.

Essa forma de pensar e agir preza a interdependência e a integração. Levando em conta, ambiente, cultura e espaço. O desenvolvimento sustentável em pauta nos fóruns mundiais de 1970 até 1980 levava em conta somente as dimensões econômicas, porém em 1986 (Sanches) insere mais duas dimensões nessa discussão: espacial e cultural.

O meio ambiente também é considerado e é entendido como um conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Nesse modelo é priorizado os sistemas complexos, ou seja, a interação que representa movimentos simples, mas com fortes impactos no longo prazo, dependendo da interação contínua dos agentes com o ambiente e entre eles.

Essas idéias trazem a necessidade da criação da consciência de que o serviço à humanidade é o propósito da vida humana. Esse nobre conceito é compatível com a vida humana e serve como base para o futuro sistema econômico, no qual a produção e o consumo (base do sistema econômico) estariam umbilicalmente ligados e focados no equilíbrio do homem com a natureza e do homem com o homem e das nações, evitando a escassez e o desperdício dos recursos existentes. Para tanto, é preciso reconhecer a unidade na diversidade, ou seja, deve-se saber reconhecer que todos os povos do mundo pertencem a mesma família humana e que conseqüentemente o princípio da unidade na diversidade deve ser estabelecido. Unidade envolve um processo dinâmico de criar harmonia entre os diversos povos e é diferente de uniformidade. Pressupõe uma profunda integração em prol de um benefício maior, em que todos saiam ganhando. Pensando nisso, empresários do mundo todo reuniram-se em Roma em 1972 para discutir os problemas do consumo exagerado e do desperdício imposto pela cultura. Preocupados com as deduções de suas reflexões redigiram uma carta manifesto com o título: Limites para o Crescimento. Documento muito importante que desencadeia uma série de atitudes a partir do mesmo.

Hoje, o cenário do consumo se apresenta da seguinte forma: segundo a Unepe aproximadamente 750 milhões de novos consumidores – número similar aos atuais consumidores dos países ricos – estão incorporando o estilo de vida ocidental e seu consumo. Isso inclui as classes mais ricas da China, da Índia, dos países da Europa Oriental, da antiga União Soviética e dos países emergentes como México, Venezuela, Brasil, Turquia, Coréia do Sul, Taiwan, Indonésia, Malásia e Tailândia.

Considerando-se os atuais problemas ambientais a serem superados pela humanidade, esses dados já são suficientemente assustadores. Infelizmente o problema tem dimensão muito maior, se observarmos as profundas diferenças sociais a serem superadas. Os países ricos com menos de 20% da população mundial são responsáveis por 80% do consumo privado mundial e os países pobres com cerca de 35% da população mundial representam apenas 2% do total do consumo privado. Essa diferença é uma vergonha que precisa ser resolvida, mas se o padrão de consumo exacerbado e desperdiçador dos países ricos vier a ser adotado amplamente, os recursos naturais da Terra não serão suficientes, além do que o planeta não seria capaz de absorver toda a poluição e degradação gerada, ou seja, a solução dessa equação passa necessariamente pela mudança nos padrões de produção e de consumo.

As diretrizes de produção ao consumidor dos estados Unidos já estabelecem que consumo sustentável, implica em atender as necessidades das gerações presentes e futuras com bens e serviços, de forma econômica, social e ambientalmente sustentável.

As organizações de consumidores no mundo todo estão incluindo o consumo sustentável nas suas agendas cientes da importância da conscientização do consumidor, protagonista essencial para o processo de mudança. É preciso despertar. Você é um dos salvadores da terra.

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